A tradição começa quando um costume ou hábito aprende a infiltrar-se na vida das gentes e, como se tivesse estado sempre ali, procura a eternidade na transmissão de geração em geração, assumindo-se como um saber e uma história partilhados. O Imaterial nasceu ainda há pouco, em 2021, mas é esse caminho que quer fazer, pensando, reflectindo e divulgando o património dos povos de todo o mundo, espalhando as suas visões da vida e contribuindo para um entendimento mais pleno e harmonioso entre aqueles que habitam o planeta em cada momento histórico. Sabendo escutar-se, respeitar-se e reconhecer-se. Porque um espelho que nos devolve apenas a nossa imagem de pouco serve – não promove a descoberta, limita-se a confirmar aquilo que de nós já conhecemos. Vamos ainda para a segunda edição, mas a segunda de muitas. As raízes estão plantadas na terra e a crescer. 

Na sequência do reconhecimento por parte da UNESCO, em 2014, do cante alentejano como expressão cultural elevada a Património Imaterial da Humanidade, também o cante, mesmo que simbolicamente, era colocado ao lado de outros preciosos géneros musicais do planeta. Mas acreditamos que essa distinção não é uma prateleira vistosa onde se guardam as honras e as distinções recolhidas ao longo da vida. O Imaterial procura, por isso, colocar em diálogo e oferecer um palco a expressões musicais e culturais vivas, que continuam a contar a história dos vários povos que habitam o mundo, abrindo-nos janelas e portas para os seus quotidianos. Sem intenção de mera preservação museológica. Porque esta é música que existe hoje, que é cantada e tocada por quem agora a reivindica como sua e a partilha com os públicos. 

No Imaterial, temos como verdade que o património só existe se houver quem o reclame e quem o reinterprete, quem saiba escutar o passado, com ele aprender, mas nele não encontrar uma prisão e uma limitação. Activar um património é levá-lo connosco e é saber escutar para então acrescentar alguma coisa. Ouvirmo-nos é a melhor forma de percebermos quem somos e onde estamos. É isso que, mais uma vez, queremos fazer juntos.

ORGANIZAÇÃO

Câmara Municipal de Évora/DCP
em parceria com a Fundação Inatel

DIRECÇÃO ARTÍSTICA

Carlos Seixas